domingo, 30 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Uns eram comunistas
"Uns eram comunistas"
Giorgio Gaber e Sandro Luporini
[Traduzido do italiano por Yuri Martins Fontes]
Uns eram comunistas porque nasceram na engajada Emília Romana.
Uns eram comunistam porque o avô, o tio, o papai... a mamãe não.
Uns eram comunistam porque viam a Rússia como uma promessa,
a China como uma poesia e o comunismo como o paraíso terrestre.
Uns eram comunistas porque se sentiam sós.
Uns eram comunistas porque haviam tido uma educação demasiado
católica.
Uns eram comunistas porque o cinema o exigia, o teatro o exigia, a
pintura o exigia, a literatura também. Todos o exigiam.
Uns eram comunistas porque “A História está do nosso lado!”
Uns eram comunistas porque lhes tinham dito.
Uns eram comunistas porque não lhes tinham dito tudo.
Uns eram comunistas porque antes eram fascistas.
Uns eram comunistas porque tinham percebido que a Rússia andava
devagar, mas longe.
Uns eram comunistas porque camarada Berlinguer era uma boa
pessoa.
Uns eram comunistas porque o democrata-cristão Andreotti não
era uma boa pessoa.
Uns eram comunistas porque eram ricos mas amavam o povo.
Uns eram comunistas porque bebiam o vinho e se comoviam nas
festas populares.
Uns eram comunistas porque eram tão ateus que precisavam de
outro Deus.
Uns eram comunistas porque eram tão fascinados pelos operários
que queriam ser um deles.
Uns eram comunistas porque não podiam ser mais do que
operários.
Uns eram comunistas porque queriam aumento de salário.
Uns eras comunistas porque a burguesia-o proletariado-a luta de
classes. Fácil não?
Uns eram comunistas porque a revolução hoje não, amanhã talvez,
mas depois de amanhã com certeza.
Uns eram comunistas porque “Viva Marx, viva Lenin, viva Mao
Tsé-Tung”.
Uns eram comunistas para irritar ao pai.
Uns eram comunistas porque só assistiam a TV-RAI 3.
Uns eram comunistas por moda, uns por princípio, uns por
frustração.
Uns eram comunistas porque queriam nacionalizar tudo.
Uns eram comunistas porque não conheciam os burocratas estatais,
para-estatais e afins.
Uns eram comunistas porque tinham trocado o “materialismo
dialético” pelo “Evangelho segundo Lenin”.
Uns eram comunistas porque estavam convictos de ter atrás de si a
classe operária.
Uns eram comunistas porque eram mais comunistas que os outros.
Uns eram comunistas porque havia o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas apesar de haver o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas porque não existia nada de melhor.
Uns eram comunistas porque temos o pior Partido Socialista da
Europa.
Uns eram comunistas porque um Estado pior que o nosso, só
Uganda.
Uns eram comunistas porque não aguentavam mais quarenta anos
de governos viscosos e mafiosos.
Uns eram comunistas por causa dos atentados fascistas da Praça
Fontana, Brescia, a estação de Bologna, o Italicus, Ustica etcétera
etcétera etcétera.
Uns eram comunistas porque quem era contra, era comunista.
*********************************************************
Uns eram comunistas porque não suportavam mais aquela coisa suja
a que nos obstinamos a chamar democracia.
Uns acreditavam ser comunistas e talvez fossem outra coisa
qualquer.
Uns eram comunistas porque sonhavam com uma liberdade diversa
daquela estadunidense.
Uns eram comunistas porque acreditavam que só poderiam estar
vivos e serem felizes se os outros também o fossem.
Uns eram comunistas porque precisavam de um empurrão para
algo de novo.
Porque estavam dispostos a modificar-se a cada dia.
Porque sentiam a necessidade de uma moral diferente.
Porque talvez fosse só uma força, um vôo, um sonho, fosse só um
salto, fosse só um desejo de mudar as coisas, de mudar a vida.
Uns eram comunistas porque estando ao lado deste salto, cada qual
era como mais de si mesmo: era como duas pessoas numa. De uma
parte o cansaço pessoal cotidiano e de outra o sentimento de
pertencer a uma raça que queria levantar vôo, para mudar
verdadeiramente a vida.
Não, nada a arrepender-se. Talvez por isso então muitos tenham
aberto as asas sem serem capazes de voar, como gaivotas
hipotéticas.
E agora? Também agora se sentem como dois, de um lado o
homem inserido, que atravessa obsequiosamente a miséria da
própria sobrevivência cotidiana e do outro a gaivota, sem mais
sequer a intenção do vôo, porque afinal de contas o sonho se
entorpeceu.
Duas misérias em um só corpo.
Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo
Giorgio Gaber e Sandro Luporini
[Traduzido do italiano por Yuri Martins Fontes]
Uns eram comunistas porque nasceram na engajada Emília Romana.
Uns eram comunistam porque o avô, o tio, o papai... a mamãe não.
Uns eram comunistam porque viam a Rússia como uma promessa,
a China como uma poesia e o comunismo como o paraíso terrestre.
Uns eram comunistas porque se sentiam sós.
Uns eram comunistas porque haviam tido uma educação demasiado
católica.
Uns eram comunistas porque o cinema o exigia, o teatro o exigia, a
pintura o exigia, a literatura também. Todos o exigiam.
Uns eram comunistas porque “A História está do nosso lado!”
Uns eram comunistas porque lhes tinham dito.
Uns eram comunistas porque não lhes tinham dito tudo.
Uns eram comunistas porque antes eram fascistas.
Uns eram comunistas porque tinham percebido que a Rússia andava
devagar, mas longe.
Uns eram comunistas porque camarada Berlinguer era uma boa
pessoa.
Uns eram comunistas porque o democrata-cristão Andreotti não
era uma boa pessoa.
Uns eram comunistas porque eram ricos mas amavam o povo.
Uns eram comunistas porque bebiam o vinho e se comoviam nas
festas populares.
Uns eram comunistas porque eram tão ateus que precisavam de
outro Deus.
Uns eram comunistas porque eram tão fascinados pelos operários
que queriam ser um deles.
Uns eram comunistas porque não podiam ser mais do que
operários.
Uns eram comunistas porque queriam aumento de salário.
Uns eras comunistas porque a burguesia-o proletariado-a luta de
classes. Fácil não?
Uns eram comunistas porque a revolução hoje não, amanhã talvez,
mas depois de amanhã com certeza.
Uns eram comunistas porque “Viva Marx, viva Lenin, viva Mao
Tsé-Tung”.
Uns eram comunistas para irritar ao pai.
Uns eram comunistas porque só assistiam a TV-RAI 3.
Uns eram comunistas por moda, uns por princípio, uns por
frustração.
Uns eram comunistas porque queriam nacionalizar tudo.
Uns eram comunistas porque não conheciam os burocratas estatais,
para-estatais e afins.
Uns eram comunistas porque tinham trocado o “materialismo
dialético” pelo “Evangelho segundo Lenin”.
Uns eram comunistas porque estavam convictos de ter atrás de si a
classe operária.
Uns eram comunistas porque eram mais comunistas que os outros.
Uns eram comunistas porque havia o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas apesar de haver o grande Partido Comunista.
Uns eram comunistas porque não existia nada de melhor.
Uns eram comunistas porque temos o pior Partido Socialista da
Europa.
Uns eram comunistas porque um Estado pior que o nosso, só
Uganda.
Uns eram comunistas porque não aguentavam mais quarenta anos
de governos viscosos e mafiosos.
Uns eram comunistas por causa dos atentados fascistas da Praça
Fontana, Brescia, a estação de Bologna, o Italicus, Ustica etcétera
etcétera etcétera.
Uns eram comunistas porque quem era contra, era comunista.
*********************************************************
Uns eram comunistas porque não suportavam mais aquela coisa suja
a que nos obstinamos a chamar democracia.
Uns acreditavam ser comunistas e talvez fossem outra coisa
qualquer.
Uns eram comunistas porque sonhavam com uma liberdade diversa
daquela estadunidense.
Uns eram comunistas porque acreditavam que só poderiam estar
vivos e serem felizes se os outros também o fossem.
Uns eram comunistas porque precisavam de um empurrão para
algo de novo.
Porque estavam dispostos a modificar-se a cada dia.
Porque sentiam a necessidade de uma moral diferente.
Porque talvez fosse só uma força, um vôo, um sonho, fosse só um
salto, fosse só um desejo de mudar as coisas, de mudar a vida.
Uns eram comunistas porque estando ao lado deste salto, cada qual
era como mais de si mesmo: era como duas pessoas numa. De uma
parte o cansaço pessoal cotidiano e de outra o sentimento de
pertencer a uma raça que queria levantar vôo, para mudar
verdadeiramente a vida.
Não, nada a arrepender-se. Talvez por isso então muitos tenham
aberto as asas sem serem capazes de voar, como gaivotas
hipotéticas.
E agora? Também agora se sentem como dois, de um lado o
homem inserido, que atravessa obsequiosamente a miséria da
própria sobrevivência cotidiana e do outro a gaivota, sem mais
sequer a intenção do vôo, porque afinal de contas o sonho se
entorpeceu.
Duas misérias em um só corpo.
Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo
domingo, 5 de dezembro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Manifesto Sarau Portátil da Cesta (SPC) dos parceiros de IML (Incendiários Maicknuclear e Laureatti)
Manifesto Sarau Portátil da Cesta
realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e
Laureatti).
O mundo está mudando rápido e o Sarau da Cesta junto com o Sarau Portátil mudam lentamente na mesma velocidade da luz: Sarau Portátil + Sarau da Cesta = Sarau Portátil da Cesta, realizado pelo I M L ( Incendiários Maicknuclear e Laureatti ).
Através de surpreendentexcitantes misturas de poemas deveras inteligentes e exaustivamente trabalhados com música urbana de elementos teatrais-cinematográficos, o Sarau Portátil da Cesta declara morte às adiposidades cerebrais. Morte ao marasmo das academias literárias e às chatices dos saraus hipócritas-demagógicos que exigem palmas para não nos deixarem bocejar. Morte aos velhos e pomposos recitais que nos matam de sono quando nos obrigam a ficarmos acordados e até o final por educação. I M L neles ! ! !
Chega desses merdas de poetas comedidos bem comportados digestivos que agradam sem transformar.
Não distribuiremos sanduíches de presuntos nem adocicaremos tua vida com açucarados últimos suspiros. Dizia a filosofia que viver é aprender a morrer. Não tenha medo de morrer. É melhor ter medo de morrer sem ter vivido.
Faça algo agora ou cálice. Nada melhor que a noite pra fazer seu champanhe suar a taça.
Queremos suor, poesia e gozar antes, durantes e depois. E depois do começo o que vier vai começar a ser o fim. Agora somos uma legião ! ! ! Numa sociedade de massas às vezes o que você precisa é só mais um . . . mais um . . . mais um . . . se for enxame, examine. Se for manada, dinamite ! ! !
Queremos a poesia dos loucos, dos clowns de Shakespeare, brechtinianos, dos frascos e comprimidos, Boal e outros mundos possíveis ! ! !
Não queremos saber de poemas que não é libertação.
Poesia no interior do Piauí é luxo. O Piauí não é aqui. O Piauí é aqui.
Poesia no interior do Acre é milagre. O Acre não é aqui. O Acre é aqui.
São Paulo é grande porém não é o Brasil ! ! !
Nessa cidade poesia social é necessidade.
Nos chame de malucos mas não nos convide para uma revolução que não possamos dançar e cantar pela chuva. SOLidariedade: não somos mais piedosos, nem menos. Somos loucos. Loucos e mais um pouco.
Só muda se você mudar seu jeito. Só muda se você muda, sujeito!
Independência tem seu preço: Poesia ou morte ! ! !
Aplaudam se quiserem. Mas se for o caso, para serem sinceros, aplaudam verdadeiramente até nas mãos fazerem calos. Aplausos. Aplausos. Aplausos. E se de pé não for suficiente, aplaudam de joelhos. Aplausos. Aplausos. Aplausos.
Deixando velhos e pomposos recitais ou hipócritas-demagógicos saraus à vala comum de suas mediocridades e outras bobagens que levam ninguém a lugar nenhum, ao afastar-se dessas amarras, o Sarau Portátil da Cesta(S.P.C) é uma progressiva elevação artística, feita com equipamentos rústicos e pós-modernos para a sublimação mais-que-criativa, mais-que-revolucionária,
Coragem ! Pule !
É agora que descobrimos só agora que a vida é agora !
Poesia ou morte ! Independência tem seu preço ! S.P.C neles !
(Fim do Manifesto. Começo do fim do mundo. )
domingo, 5 de setembro de 2010
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