terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Poesia Teatro Livros Livros Livros
Literatura é resistência
E falar sobre literatura é resistência. Resistir é lembrar que não se pode apenas receber a informação, implica reação. Além do que se apresenta é possível inferir dos enunciados outras realidades. O que é um sarau? Sarau é toda aquela reunião onde ouve-se música, assiste filme, filosofa, lê-se trechos de livros, faz-se poesia, as pessoas se encontram. E em toda parte que nome daremos ao fato de que nutre-se o ódio aos homens e procura-se espoliá-lo? Talvez por isso saraus sejam tão necessários. Hoje estão acontecendo mais de 60 deles.
Colecionar esta diversidade de exemplos vivos dos momentos de elaboração criativa da realidade: quando se elenca alguns saraus pensamos na Cooperifa, no Elo da Corrente, no sarau da Ademar, no Pavio da Cultura em Suzano orientados por (r)evolucionários. As pessoas olham e ficam inspiradas. É para a auto-estima dos moradores da região onde podem ser encontradas crianças, jovens e idosos. Donas-de-casa, operários, professores e estudantes. Trocam-se experiências e incentivos. E travam a luta incansável contra a ignorância, mediocridade, conformismos e tristezas. Movimento dos sem palco, um quilombo, um lugar onde não se pergunta de onde você é, de que credo, cor, ou opção sexual. Só respeito e silêncio e o nome para ser chamado.
Realizamos 11 edições do Sarau da Cesta.
Historicamente, a primeira edição foi no dia 3 de Abril no EPEL(Encontro Paulista dos Estudantes de Letras – que não acontecia há 20 anos) no lado externo ao prédio da Letras. A segunda edição aconteceu em 15 de maio com o tema: Você vai deixar sua vida ser regulada pelo mercado? Neste dia incorporamos um carrinho de supermercado que utilizamos como cavalete para um dos colaboradores pintar quadros, mais adiante serviu e serve para carregarmos os chapéus, banco, mancebo, tintas, além, é claro, de uma cesta cheia de livros para compartilharmos as obras, as palavras, os silêncios! Na terceira edição em 8 de Junho nos incorporamos ao movimento de greve na USP. Realizamos o sarau em frente à reitoria com o carro de som do SINTUSP(Sindicato dos Trabalhadores da USP), com a participação de funcionários lendo poemas. E a quarta edição com o lançamento do livro Ávida Espingarda(feito de alunos da Letras). Na quinta feira, dia 24 de Setembro, a quinta edição do Sarau da Cesta junto com poetas do Sarau do Querô e integrantes da Revista Áporo entre outros guerreiros da poesia: Primavera dos Bixos!!!! Fizemos a sexta edição do Sarau da Cesta, na quinta dia 29 de Outubro, em co-realização com o Noite nas Tavernas, iniciativa do Centro Acadêmico(C.A) da Letras, gestão Olhos Livres, que aliou-se ao sarau desde o primeiro momento até sua última hora de mandato. O núcleo temático foi o período de eleições para o C.A: Vote Sarau da Cesta!!!! Em 26 de Novembro, o último Sarau da Cesta do ano 2009, mas não menos importante, contou com a presença de integrantes do Sarau da Casa das Rosas e a Turma do Morro do Querosene. Aliás, a sétima edição não foi a derradeira, porém o sarau mais recente, isto é, num movimento gradativo, consciente e revolucionário continuamos prenchendo os hiatos: um conjunto de escritores mais ou menos conscientes do seu papel, um conjunto de receptores e um mecanismo transmissor. Sarau da Cesta, FFLCH-Letras, Revista Áporo e, a coleção Feito Na Letras, coordenada pelo professor Vicente Pietroforte.
Em 30 de março de 2010, Estação Poesia: Sarau do Metrô convidou Sarau da Cesta: do povo para o povo. E , é claro, para além dos muros da universidade o direito ao livro e a livre expressão.Em conjunto com o Centro Acadêmico de Estudos Literários e Linguisticos Oswald de Andrade, isto é, CAELL – Gestão Veredas, dentro da Calourada USP/ 2010 - Bixos: Melhores dias Verão foi o tema da oitava edição do Sarau da Cesta. O encontro foi marcado para o dia 23 de fevereiro (terça-feira) às 20h na escadaria central na nossa faculdade de Letras. A proposta foi debatermos acesso à faculdade, o fazer poético e suas notações sociais, com escritores convidados e com você. Além, é claro, de lermos muitos poemas de diversos poetas representativos da literatura brasileira e universal e, principalmente, de autoria própria. Tire seus poemas das gavetas. Seus quadrinhos das pranchetas. Apresente seu teatro aos vivos. Sua música aos nossos ouvidos. Dance, dance, dance até raiar o dia. Contra a linha dura, a linha da cintura. Pinte o set e a oitava maravilha. Faça sua exposição fotográfica. É hora da sua arte ganhar a praça. Saraus saraus saraus.
O Sarau da Cesta é independente de partidos e movimentos políticos universitários. É mais um movimento do que um evento uma vez que confiamos na frente única, passeatas e greves como instrumentos de pressão da classe trabalhadora e na necessidade da arte. Não nos mantemos alheios nem externos às questões concernentes à instituição universitária. Arte e política inseparáveis, assim como educação e livro são imprescindíveis.
É uma contravenção ao sistema do outro, um não pertencimento às representações midiárticas, desconstrução das idéias e dos discursos hegemônicos de novelas, jogos de futebol, vida-shopping. Para além de imposturas tolas e bobageiras de abstrações sem fim onde a vida intelectual pode se perder, ser desserviço. Todos artistas, todos possíveis. Diferente do estrelato e das afetações. Arte-cidadã com cuidado para não ficar só no discurso, com cautela de compreender junto o afastamento da violência e da insanidade pelo compartilhamento da palavra, pelo descolamento desta invisibilidade de excluídos ressentidos ou incluídos amedrontados. Rechaço de inferioridades e da falta de posses, reabilitação dos passados perdidos e das iniciativas inspiradas em ações reais e liberações sonhadas.
Projeto de conhecimento e projeto de poder. Re-inventar o poder. Estranhar meu cotidiano. Até que ponto interessa inscrever-se dentro do stress absoluto de não confiar no vizinho? Melhor o espaço de origem configurado na imagem aderida afetivamente aos próprios laços. Pouco a pouco as missões heróicas dos saraus em toda parte, não obstante os monstros...
É isso
Tatiana Busato (em homenagem) e Cláudio Laureatti (autor do texto)
E falar sobre literatura é resistência. Resistir é lembrar que não se pode apenas receber a informação, implica reação. Além do que se apresenta é possível inferir dos enunciados outras realidades. O que é um sarau? Sarau é toda aquela reunião onde ouve-se música, assiste filme, filosofa, lê-se trechos de livros, faz-se poesia, as pessoas se encontram. E em toda parte que nome daremos ao fato de que nutre-se o ódio aos homens e procura-se espoliá-lo? Talvez por isso saraus sejam tão necessários. Hoje estão acontecendo mais de 60 deles.
Colecionar esta diversidade de exemplos vivos dos momentos de elaboração criativa da realidade: quando se elenca alguns saraus pensamos na Cooperifa, no Elo da Corrente, no sarau da Ademar, no Pavio da Cultura em Suzano orientados por (r)evolucionários. As pessoas olham e ficam inspiradas. É para a auto-estima dos moradores da região onde podem ser encontradas crianças, jovens e idosos. Donas-de-casa, operários, professores e estudantes. Trocam-se experiências e incentivos. E travam a luta incansável contra a ignorância, mediocridade, conformismos e tristezas. Movimento dos sem palco, um quilombo, um lugar onde não se pergunta de onde você é, de que credo, cor, ou opção sexual. Só respeito e silêncio e o nome para ser chamado.
Realizamos 11 edições do Sarau da Cesta.
Historicamente, a primeira edição foi no dia 3 de Abril no EPEL(Encontro Paulista dos Estudantes de Letras – que não acontecia há 20 anos) no lado externo ao prédio da Letras. A segunda edição aconteceu em 15 de maio com o tema: Você vai deixar sua vida ser regulada pelo mercado? Neste dia incorporamos um carrinho de supermercado que utilizamos como cavalete para um dos colaboradores pintar quadros, mais adiante serviu e serve para carregarmos os chapéus, banco, mancebo, tintas, além, é claro, de uma cesta cheia de livros para compartilharmos as obras, as palavras, os silêncios! Na terceira edição em 8 de Junho nos incorporamos ao movimento de greve na USP. Realizamos o sarau em frente à reitoria com o carro de som do SINTUSP(Sindicato dos Trabalhadores da USP), com a participação de funcionários lendo poemas. E a quarta edição com o lançamento do livro Ávida Espingarda(feito de alunos da Letras). Na quinta feira, dia 24 de Setembro, a quinta edição do Sarau da Cesta junto com poetas do Sarau do Querô e integrantes da Revista Áporo entre outros guerreiros da poesia: Primavera dos Bixos!!!! Fizemos a sexta edição do Sarau da Cesta, na quinta dia 29 de Outubro, em co-realização com o Noite nas Tavernas, iniciativa do Centro Acadêmico(C.A) da Letras, gestão Olhos Livres, que aliou-se ao sarau desde o primeiro momento até sua última hora de mandato. O núcleo temático foi o período de eleições para o C.A: Vote Sarau da Cesta!!!! Em 26 de Novembro, o último Sarau da Cesta do ano 2009, mas não menos importante, contou com a presença de integrantes do Sarau da Casa das Rosas e a Turma do Morro do Querosene. Aliás, a sétima edição não foi a derradeira, porém o sarau mais recente, isto é, num movimento gradativo, consciente e revolucionário continuamos prenchendo os hiatos: um conjunto de escritores mais ou menos conscientes do seu papel, um conjunto de receptores e um mecanismo transmissor. Sarau da Cesta, FFLCH-Letras, Revista Áporo e, a coleção Feito Na Letras, coordenada pelo professor Vicente Pietroforte.
Em 30 de março de 2010, Estação Poesia: Sarau do Metrô convidou Sarau da Cesta: do povo para o povo. E , é claro, para além dos muros da universidade o direito ao livro e a livre expressão.Em conjunto com o Centro Acadêmico de Estudos Literários e Linguisticos Oswald de Andrade, isto é, CAELL – Gestão Veredas, dentro da Calourada USP/ 2010 - Bixos: Melhores dias Verão foi o tema da oitava edição do Sarau da Cesta. O encontro foi marcado para o dia 23 de fevereiro (terça-feira) às 20h na escadaria central na nossa faculdade de Letras. A proposta foi debatermos acesso à faculdade, o fazer poético e suas notações sociais, com escritores convidados e com você. Além, é claro, de lermos muitos poemas de diversos poetas representativos da literatura brasileira e universal e, principalmente, de autoria própria. Tire seus poemas das gavetas. Seus quadrinhos das pranchetas. Apresente seu teatro aos vivos. Sua música aos nossos ouvidos. Dance, dance, dance até raiar o dia. Contra a linha dura, a linha da cintura. Pinte o set e a oitava maravilha. Faça sua exposição fotográfica. É hora da sua arte ganhar a praça. Saraus saraus saraus.
O Sarau da Cesta é independente de partidos e movimentos políticos universitários. É mais um movimento do que um evento uma vez que confiamos na frente única, passeatas e greves como instrumentos de pressão da classe trabalhadora e na necessidade da arte. Não nos mantemos alheios nem externos às questões concernentes à instituição universitária. Arte e política inseparáveis, assim como educação e livro são imprescindíveis.
É uma contravenção ao sistema do outro, um não pertencimento às representações midiárticas, desconstrução das idéias e dos discursos hegemônicos de novelas, jogos de futebol, vida-shopping. Para além de imposturas tolas e bobageiras de abstrações sem fim onde a vida intelectual pode se perder, ser desserviço. Todos artistas, todos possíveis. Diferente do estrelato e das afetações. Arte-cidadã com cuidado para não ficar só no discurso, com cautela de compreender junto o afastamento da violência e da insanidade pelo compartilhamento da palavra, pelo descolamento desta invisibilidade de excluídos ressentidos ou incluídos amedrontados. Rechaço de inferioridades e da falta de posses, reabilitação dos passados perdidos e das iniciativas inspiradas em ações reais e liberações sonhadas.
Projeto de conhecimento e projeto de poder. Re-inventar o poder. Estranhar meu cotidiano. Até que ponto interessa inscrever-se dentro do stress absoluto de não confiar no vizinho? Melhor o espaço de origem configurado na imagem aderida afetivamente aos próprios laços. Pouco a pouco as missões heróicas dos saraus em toda parte, não obstante os monstros...
É isso
Tatiana Busato (em homenagem) e Cláudio Laureatti (autor do texto)
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